Pesquisadores de segurança alertam que conteúdo sexual explícito gerado por IA sem consentimento segue se espalhando sem controle, com compartilhamento em mensagens diretas e armazenamento em nuvens privadas, o que dificulta detecção e denúncia. Um estudo coautorado pela Google com usuários da internet nos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, publicado em julho, aponta que o ponto de intervenção mais crítico está na origem das ferramentas usadas para criar as imagens falsas.
Em testes recentes, pesquisadores do White Circle afirmam que guardrails de geradores de imagens de texto de Google e OpenAI podem estar falhando à medida que os modelos ficam mais capazes. Um preprint divulgado no mês passado descreve vulnerabilidades em DALL·E 3, Nano Banana 2 e GPT-Image-2, com a equipe dizendo que, usando ferramentas disponíveis publicamente e chamadas via API, conseguiu gerar conteúdo explícito cerca de 13% das vezes.
O Wellhub revelou o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 e indica que a adoção de inteligência artificial pode aumentar a carga de trabalho para quem já domina a tecnologia. No Brasil, 37% dos trabalhadores “avançados em IA” relatam que o uso da ferramenta elevou o volume de tarefas, ante 13% entre quem está nos primeiros estágios de adoção. O levantamento também mostra que, no recorte brasileiro, oito em cada dez usuários avançados orientam outras pessoas sobre as ferramentas.
Os dados ainda apontam diferenças nos relatos de esgotamento: 23% dos profissionais mais avançados dizem ter sintomas de burnout diariamente, contra 11% dos iniciantes. A pesquisa destaca que políticas claras e bem comunicadas sobre IA se associam a maior resiliência, e que 75% dos usuários avançados citam recursos de bem-estar como apoio para se adaptar ao ambiente impulsionado pela tecnologia. O estudo foi conduzido entre 12 e 19 de junho de 2026 com mais de 5 mil profissionais em dez países.
O pendant Friend 2, chatbot em formato de pingente sempre “listening”, chegou em julho custando US$ 249 e usa os “latest language models” da OpenAI. O dispositivo responde a comandos e também pode falar sem ser provocado, com um recurso de “silenciar” que exige toques no aparelho.
A Avi Schiffmann, criadora do Friend, afirmou que a próxima atualização vai tornar os chatbots mais “agentically” e mudar a personalização: em vez de personalidades únicas por usuário, todos conversariam com a mesma entidade, compartilhando contexto entre usuários. A proposta aponta para um “hivemind” do Friend, com mudanças que devem afetar como o sistema se comporta e como a privacidade é tratada.
A ASML divulgou resultados do terceiro trimestre acima das expectativas e elevou a projeção de vendas líquidas para 2026 para uma faixa de 44 bilhões a 45 bilhões de euros. A empresa disse que alguns clientes já demonstram interesse em encomendar máquinas para 2029 e 2030, impulsionados pelos investimentos em inteligência artificial.
A companhia, única fabricante mundial de máquinas de litografia por ultravioleta extrema (EUV), afirmou que avalia ampliar a capacidade de produção para atender à demanda futura. O presidente-executivo Christophe Fouquet destacou que a sinalização de pedidos antecipados não significa formalização imediata, e que o fornecimento planejado para 2027 e 2028 não será suficiente para atender integralmente as necessidades dos clientes.
Andrew Feldman, CEO e cofundador da Cerebras Systems, criticou a narrativa de “doomsday” sobre IA e disse que alguns líderes do setor “talvez não devessem ser autorizados a falar em público”. Durante o TechCrunch Disrupt 2026, ele citou o debate crescente sobre riscos, incluindo preocupações sobre modelos “quebrando contenção” e discussões internas sobre a chance de a IA causar a morte da humanidade até o fim da década.
Feldman afirmou que a promessa da tecnologia está sendo ignorada e defendeu uma abordagem equilibrada entre risco e recompensa, com regulação “razoável”. Ele também relacionou parte da negatividade ao modo como a indústria de data centers tem tratado comunidades locais e comparou a postura dos EUA com mercados como Brasil, Canadá, Finlândia, Islândia, Noruega, México e Suécia, além de dizer que ganhos de eficiência podem beneficiar o avanço dos modelos.
O mercado global de smartphones registrou queda de 20% nas remessas na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Counterpoint Research. A retração foi atribuída à escassez de chips de memória, com a produção sendo direcionada para atender à demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Enquanto isso, Apple e Samsung ampliaram participação: a Samsung liderou com 23% e a Apple chegou a 22%, com o iPhone superando 20% no terceiro trimestre pela primeira vez. A expansão de data centers de IA elevou a procura por memórias HBM, afetando a oferta de DRAM usada em smartphones e pressionando custos, enquanto Xiaomi (10%), Oppo (9%) e Vivo (8%) ficaram atrás.
A forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial deve continuar superando a capacidade de produção da indústria pelos próximos dois a três anos, segundo o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, em evento do DBS Bank em Cingapura. Ele apontou gargalos na cadeia de suprimentos, com restrições em memórias, silício e empacotamento, como fatores que devem manter o mercado sob pressão.
Tan também alertou que, apesar da busca por poder computacional seguir aquecida, os investimentos multimilionários precisarão se justificar. Com custo de capital alto e exigência de retorno, as empresas que financiam ecossistemas de IA terão de demonstrar valor prático, enquanto a arquitetura de data centers passa a refletir a evolução das aplicações, com mudanças na proporção entre GPUs e CPUs.
A Microsoft anunciou a terceira geração do chip de IA Maia, o Maia 300, com foco em atuar como “principal sistema de inferência” para produtos e serviços da empresa. O chip foi projetado para melhorar custo e eficiência na nuvem e para lidar melhor com modelos de raciocínio e tarefas agentic (orientadas por objetivos).
O Maia 300 começa a ser distribuído para cargas de trabalho de produção em 2027. A Microsoft espera entregar 40% mais tokens por megawatt do que sistemas líderes baseados em GPUs e, em uma configuração com 96 aceleradores, até 7x mais throughput em nível de rack do que o Maia 200, que já roda em produção em serviços como Microsoft Copilot e GitHub Copilot.
A Microsoft revelou o Maia 300, novo chip de IA para servidores, com foco em aumentar a eficiência energética no processamento de inferência. O componente promete processar 40% mais tokens por megawatt do que infraestruturas baseadas em GPUs, permitindo atender mais demandas de IA com a mesma capacidade elétrica.
O Maia 300 dá sequência ao Maia 200 e é voltado para conversas extensas, tarefas que exigem raciocínio e agentes capazes de executar várias ações em sequência. A arquitetura usa chiplets fabricados no processo N2P da TSMC, organiza componentes para manter dados próximos do uso e traz 288 GB de memória HBM4 por acelerador, além de uma configuração completa com 96 aceleradores e promessa de até sete vezes mais tokens que um rack Maia 200; a implantação está prevista para começar em 2027.
Mac Mini e Mac Studio voltaram ao centro das atenções com chips novos e um foco em rodar inteligência artificial localmente. O Mac Mini foi atualizado com o chip M6, com modelos também disponíveis com M5 Pro, e a proposta é oferecer um “box” de IA sempre ligado na mesa, com controle remoto via MacBook ou iPhone.
No Mac Studio, a escolha passa por M5 Max ou M5 Ultra, com opções que chegam a 128 GB de memória no M5 Max e um desempenho voltado a rodar modelos de IA pesados no próprio dispositivo. Já o iMac aparece como alternativa menos atraente no momento, sem atualização desde 2024 e ainda usando o chip M4, com preços que começam em US$ 1.499.
A Samsung anunciou uma projeção de lucro operacional de US$ 80,17 bilhões para o terceiro trimestre de 2026, com crescimento de 782,5% na comparação anual. A estimativa, impulsionada pela demanda por chips de inteligência artificial, também aponta para lucro operacional de 107,4 trilhões de wons e receita de 195 trilhões de wons, acima das expectativas de analistas.
A alta é atribuída à procura por memórias usadas em servidores e data centers de IA, especialmente as HBM, além da escassez de componentes como DRAM e NAND, que elevou preços e margens no segmento de semicondutores. Apesar do desempenho consolidado, a divisão de smartphones pode registrar prejuízo superior a US$ 1 bilhão, e a empresa divulgará os resultados completos em 29 de outubro.
A corrida por infraestrutura de inteligência artificial levou a Broadcom a buscar financiamentos de dezenas de bilhões de dólares para comprar chips de IA. Nas últimas semanas, a empresa começou a estruturar mais de US$ 50 bilhões para chips personalizados que desenvolve com a OpenAI, com participação de instituições como Apollo e Blackstone em conversas ainda iniciais.
A mesma pressão aparece em outros casos: a Oracle negocia recursos com Apollo e Goldman Sachs para uma grande compra de chips, enquanto a SpaceX discutiu com credores um financiamento de US$ 40 bilhões para adquirir chips da Nvidia. Com laboratórios de IA como OpenAI e Anthropic querendo ampliar a própria infraestrutura e reduzir dependência de provedores de nuvem, o custo do hardware vem impulsionando financiamentos via Wall Street.
As ações da Nvidia atingiram um novo recorde nesta sexta-feira (2), com alta de 2,9%, levando o valor de mercado da fabricante de chips para perto de US$ 6 trilhões (cerca de R$ 31,4 trilhões). Segundo a Bloomberg, o movimento foi impulsionado pelo otimismo dos investidores com o novo agente de inteligência artificial da Meta, o Muse AI, lançado no início de setembro.
O Muse AI foi projetado para executar ações em nome dos usuários e pode acessar contas e informações em aplicativos como e-mail, agenda, pagamentos, saúde, compras e casa inteligente. Com a reação positiva ao agente, cresceu o interesse por empresas que fornecem componentes e infraestrutura para desenvolver aplicações de IA, em um cenário sustentado pela liderança da Nvidia em chips de IA e por resultados financeiros expressivos no trimestre fiscal de 2026.
As ações da Nvidia bateram recorde nesta sexta-feira (2), com alta de 2,9%, algo que não acontecia desde maio. Com o movimento, o valor de mercado da companhia se aproxima de US$ 6 trilhões (cerca de R$ 31,4 trilhões). O avanço ocorre em meio ao otimismo do mercado com o Muse AI, novo agente de inteligência artificial da Meta, que executa ações em nome dos usuários.
A valorização também reflete a demanda por data centers e componentes usados no desenvolvimento de IA, já que a Nvidia fabrica chips para treinar modelos como os que alimentam serviços de IA. A empresa é apontada como líder no mercado de chips de inteligência artificial de ponta, com produtos como as GPUs H100 e A100 e a geração Blackwell (B100), além de ter lucro de US$ 58,3 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 26 de abril.
A Alibaba apresentou o Zhenwu V900, descrito como o chip de IA mais poderoso já produzido na China, durante a Apsara Conference em Hangzhou. O lançamento integra um plano de investir mais de US$ 53 bilhões em IA e nuvem, ampliar data centers e reduzir a dependência da Nvidia.
Desenvolvido pela T-Head, o Zhenwu V900 promete desempenho três vezes superior ao Zhenwu M890 e pode ser combinado em clusters de até 500 mil unidades para treinar modelos avançados, com produção em massa prevista para o 1º trimestre de 2027. No mesmo evento, a empresa também falou em um futuro modelo da família Qwen com 5 trilhões a 10 trilhões de parâmetros e citou a expansão da Alibaba Cloud, incluindo a região inaugurada no Brasil em 27 de agosto.
O Alibaba apresentou oficialmente o Zhenwu V900, um novo acelerador voltado para treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial. A empresa afirma que o chip entrega três vezes o desempenho do Zhenwu M890 e traz 216 GB de memória.
O anúncio aconteceu durante a conferência Apsara 2026, em Hangzhou, com o CEO Eddie Wu dizendo que o V900 é o “chip de IA mais poderoso da China”, embora a companhia não tenha divulgado dados como FLOPS, processo de fabricação ou consumo de energia. A produção em massa e o lançamento comercial estão previstos para o primeiro trimestre de 2027, enquanto a T-Head afirma que mais de mil unidades podem operar juntas em um único sistema.
Xi Jinping desembarcou em Washington para uma visita de Estado de três dias com a inteligência artificial no centro da agenda. Donald Trump e Xi se encontram na Casa Branca nesta quinta-feira, 24, com participação de executivos de Nvidia, OpenAI, Microsoft, Apple, Google, Tesla e Amazon em eventos ligados à cúpula.
A disputa envolve acesso chinês a chips avançados, segurança de IA e a relação tecnológica entre EUA e China. O governo americano propõe um “Diálogo EUA-China sobre IA” com mecanismo de notificação para incidentes, enquanto a China tenta reduzir dependência com um chip de IA da Alibaba e acusações de “destilação” seguem no debate.
Jensen Huang, cofundador e CEO da Nvidia, nasceu em 17 de fevereiro de 1963, em Taipé (Taiwan), e se formou em engenharia elétrica nos EUA. Antes de lançar a Nvidia no fim dos anos 1990, ele acumulou experiência em projetos de hardware e chips, incluindo passagens por empresas como AMD e LSI Logic.
Sob sua liderança, a Nvidia mudou o foco de GPUs para computação acelerada e passou a sustentar a infraestrutura usada para treinar inteligências artificiais e rodar grandes modelos de linguagem. A empresa também construiu ecossistemas de hardware e softwares proprietários, e a fortuna de Huang é estimada em US$ 190 bilhões, segundo a Forbes em setembro de 2026.
Centenas de trabalhadores constroem centros de dados em Ulanqab, na Mongólia Interior, enquanto a China amplia sua infraestrutura para inteligência artificial. A região, antes conhecida como “capital da batata”, virou uma fronteira digital para sustentar a corrida tecnológica no contexto de conversas entre Donald Trump e Xi Jinping, com foco também em segurança da IA.
O plano chinês inclui integrar IA a 90% das indústrias e da sociedade até 2030 e atrair talentos para aplicar pesquisa em áreas como saúde e medicina. O debate entre os EUA e a China também envolve restrições a chips e equipamentos avançados e pedidos por mais regulamentação e regras globais para o setor.
Xi Jinping chega a Washington nesta quarta-feira para se reunir com Donald Trump na Casa Branca na quinta (24). No encontro, autoridades ouvidas pela Reuters indicam que o líder chinês deve pressionar Trump a suspender as vendas de armas a Taiwan, citando a declaração conjunta de 1982.
A inteligência artificial também aparece como tema central nas relações entre os dois países, em meio a disputas sobre capacidades e segurança. Os EUA restringem exportações de chips de IA mais potentes para a China e acusam desenvolvedores chineses de acessar modelos americanos em escala industrial; a China, por sua vez, diz que a prática de “destilação” é comum e defende novas diretrizes globais de segurança para IA.
A Qualcomm anunciou o Snapdragon 8 Elite Gen 6 e o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6 para smartphones Android durante o Snapdragon Summit 2026. Os chips são fabricados em processo de 2 nm e usam a nova CPU Oryon, com dois núcleos de alto desempenho de até 5 GHz e seis núcleos de performance chegando a 4 GHz.
A empresa também reforçou a aposta em IA no próprio aparelho, com nova versão da Hexagon NPU e o Hexagon Element Accelerator para acelerar cargas de trabalho de IA. No Extreme, a memória compartilhada da NPU é 50% maior e há suporte a modelos maiores, incluindo MoE com mais de 30 bilhões de parâmetros, além de recursos de IA no pipeline gráfico e gravação em 8K a 60 fps; os primeiros celulares anunciados para usar os chips incluem Motorola Signature 27 e Xiaomi 18 Pro Max no Extreme, e Xiaomi 18 Pro no Gen 6.
A edição do “The Download” do MIT Technology Review critica o aumento do “AI hype” nos últimos meses, citando promessas de hacking, supostos avanços matemáticos e a ideia de superinteligência autoaperfeiçoada. O texto argumenta que existe incentivo comercial para exagerar capacidades e que a urgência e a velocidade comunicadas por empresas podem servir para influenciar policymakers e a opinião pública antes de uma avaliação mais cuidadosa.
A publicação também reúne sinais do debate sobre IA, como chamadas de 22 nações por um novo órgão global para supervisão, com testes de segurança prévia e padrões comuns, além de movimentos regulatórios ligados a data centers em Texas e Califórnia. No mesmo panorama, aparecem notícias sobre mercado e produtos, incluindo a alta de ações de uma chipmaker como AMD impulsionada por vendas de chips para IA e a disputa envolvendo o agente de IA da Meta na App Store.
EUA e China começaram conversas para propor um mecanismo de notificação mútua sobre incidentes de inteligência artificial que possam ameaçar a segurança nacional. O plano, chamado US China AI Dialogue, prevê que representantes dos dois países voltem a se reunir para discutir a tecnologia e alinhar metas e ameaças comuns, segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
Bessent disse que o diálogo retomou conversas interrompidas após a visita do presidente Donald Trump a Pequim, em maio, enquanto crescem preocupações de segurança pública. Ele citou incidentes recentes no setor, como ataques envolvendo agentes de IA que exploraram falhas de salvaguardas, e mencionou que as discussões não trataram de controles de exportação de chips avançados para a China, apesar de os EUA buscarem limitar o avanço tecnológico do país.
A Apple está desenvolvendo um servidor de IA que deve usar os chips M-series Ultra de alto desempenho, já presentes em desktops da marca. A expectativa é que o produto chegue ao mercado em 2029, marcando a primeira entrada da Apple em servidores comerciais em quase duas décadas.
O servidor corporativo teria duas configurações, com opções de dois ou quatro chips futuros M8 Ultra, segundo o The Information. A iniciativa teria recebido apoio do novo CEO John Ternus quando o projeto começou, e cresce no contexto da demanda de desenvolvedores por Mac mini e Mac Studio para rodar cargas de trabalho de IA, incluindo compras em grande escala para treinamento por tentativa e erro e reforço, além de locações de Mac minis por empresas de IA em serviços como a AWS.
Palo Alto, na Califórnia, e Shenzhen, no sul da China, viraram símbolos da corrida tecnológica que pode influenciar economia, inovação e inteligência artificial nas próximas décadas. As duas regiões competem pelo protagonismo em setores estratégicos como semicondutores, IA e eletrônicos avançados.
A reportagem contrasta a consolidação do ecossistema do Vale do Silício, impulsionado por universidades e investimentos, com a transformação acelerada de Shenzhen, que saiu de áreas rurais e se tornou uma metrópole tecnológica após ser escolhida como zona econômica especial no fim da década de 1970. No centro da disputa, especialistas destacam a corrida por chips, considerada estratégica por impactar defesa, telecomunicações e sistemas de IA.
Pesquisadora da Wharton, Jessica Wachter, analisou o impacto econômico do boom de infraestrutura de IA a partir de uma premissa: poucos hyperscalers estão colocando quantias enormes para construir data centers. Em estimativas com um colaborador, os gastos podem chegar a quase US$ 1,1 trilhão até 2027, enquanto as empresas precisariam elevar a própria produtividade em 2,7 vezes para empatar até 2030, considerando custo de capital e retorno de 15%.
O cenário também traz alertas financeiros. Wachter afirma que, se a produtividade não se materializar, as empresas podem ficar atrás do pagamento de juros e isso eleva o risco de falência, com a possibilidade de o buildout virar a maior má alocação de capital da história. Ao mesmo tempo, o texto aponta que os hyperscalers planejam investir cerca de US$ 750 bilhões neste ano, enquanto as receitas totais de IA ainda ficam na faixa de US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões, e parte dos custos é pressionada por novas gerações de chips.
A Samsung investiu na startup holandesa de chips de IA Euclyd, que busca criar uma alternativa às GPUs da Nvidia. A empresa levantou US$ 231 milhões (R$ 1,2 bilhão) na rodada Série A, de 200 milhões de euros, liderada pela própria Samsung e por investidores como Somerset Capital Partners, Scaleup Europe Fund (EQT) e Innovation Industries.
Fundada em 2024, a Euclyd desenvolve chips para inferência de IA, usando modelos já treinados para executar tarefas. A arquitetura proposta difere das GPUs por envolver processador e arquitetura de memória, com a promessa de reduzir energia e custos de data centers; a startup ainda não comprovou uso comercial em larga escala, mas pretende distribuir sistemas físicos a partir de 2028 e atender milhares de clientes corporativos até 2030.
Executivos de empresas por trás de modelos avançados defenderam uma desaceleração no desenvolvimento de IA, e a reação derrubou ações ligadas ao setor nesta segunda-feira. Dario Amodei, CEO da Anthropic, fez o alerta em ensaio publicado no sábado, com concordância de Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, citando preocupação com riscos de uso indevido.
Na Ásia, os futuros do Nasdaq recuaram 1,3% e a SoftBank, investidora da OpenAI, caiu 13,2% no Japão. Entre fabricantes e empresas da cadeia de semicondutores, Kioxia caiu inicialmente 9,8%, SK Hynix recuou 5,3% e Samsung Electronics teve baixa de 3,7%, enquanto a Z.ai chegou a despencar 10,5% após oferta de ações com desconto. O mercado passou a pesar não só o potencial de avanço da tecnologia, mas também os riscos e o retorno dos investimentos em infraestrutura de IA.
O jornal estatal chinês Global Times classificou o ensaio de Dario Amodei, CEO da Anthropic, como um “manual de Guerra Fria” contra a China. No texto, Amodei defende desacelerar o avanço de capacidades de IA de fronteira para ganhar tempo no enfrentamento de riscos de segurança e propõe reforçar controles americanos sobre exportação de chips para Pequim.
A publicação chinesa afirma que a agenda por trás da proposta seria conter o desenvolvimento da IA chinesa com barreiras tecnológicas e “monopólios regulatórios”. Donald Trump rejeitou publicamente a desaceleração em 13 de setembro, enquanto Sam Altman e Elon Musk apoiaram a proposta; fontes ouvidas pela Reuters indicam que EUA e China devem discutir riscos de segurança de IA de fronteira em meados de setembro e o tema pode entrar na cúpula entre Trump e Xi marcada para o dia 24.
Dario Amodei, CEO e cofundador da Anthropic, pediu que as empresas reduzam o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA, priorizando a prevenção de riscos. A empresa também disse que passará a adotar avaliações independentes de terceiros como parte das salvaguardas. O apelo ganhou força com apoio de Sam Altman, da OpenAI, e de Elon Musk, da xAI, enquanto ex-pesquisador da Anthropic alertou para a possibilidade de riscos se tornarem realistas em prazos de meses a anos.
A polêmica também repercutiu nos mercados, pressionando ações de fabricantes de chips e indicadores ligados à cadeia de suprimentos de IA. Nos Estados Unidos, Donald Trump rebateu a ideia de desaceleração, chamando os defensores de “forças negativas”, e afirmou que a corrida da IA é necessária para manter a liderança frente à China. Analistas ouvidos pela Bloomberg apontaram impacto mais imediato no curto prazo, com possível aceleração de investimentos em cibersegurança e monitoramento de IA.
A Samsung fechou parceria com a Mistral AI para implantar modelos de IA on-premises em suas operações de fabricação e engenharia de semicondutores. O acordo foi anunciado durante a cúpula bilateral entre Coreia do Sul e França, em Paris, e prevê a integração da suíte de software da Mistral, incluindo o modelo Mistral Large, em instalações internas para criar modelos personalizados voltados à infraestrutura de fábrica orientada por inteligência artificial.
A estratégia usa instalações privadas para processar registros sensíveis de engenharia e operação dentro do perímetro de computação da empresa, reduzindo exposição a nuvem externa. A Samsung também planeja aplicar modelos direcionados em detecção automatizada de defeitos e no ajuste de máquinas da fab, com foco em acelerar ciclos de desenvolvimento, aumentar precisão e estabilizar rendimentos em chips de memória e lógica, além de atender unidades de memória, design lógico e foundry contratada.
A CEO do Xbox, Asha Sharma, confirmou na gamescom 2026 que a próxima geração da marca, o Project Helix, será uma família de dispositivos. A estratégia abre espaço para a divisão de games ir além do console tradicional e considerar aparelhos mais acessíveis, em um cenário marcado por uma crise de memória na indústria.
O hardware do Xbox Helix foi apresentado em março durante a GDC 2026, com a promessa de envio dos primeiros kits de desenvolvimento para os estúdios no início de 2027. O console deve usar um chipset personalizado da AMD com tecnologias como FSR e DirectX, e a linha também pode incluir variações como um modelo de entrada, um portátil e até opções ligadas a cloud gaming.
O preço das memórias disparou e elevou os custos de fabricação de smartphones e outros eletrônicos, pressionando a cadeia de produção. A oferta já vinha com dificuldade para acompanhar a demanda e, mesmo com novas fábricas, a expansão da capacidade deve levar anos.
A demanda puxada por data centers de IA, que usam HBM (DRAM especializada), intensificou o gargalo: a Micron estima que produzir HBM exige cerca de três vezes mais wafers do que DRAM convencional. Com a escassez se estendendo até o fim de 2027 ou início de 2028, o iPhone 18 Pro pode começar em US$ 1.299, cerca de US$ 200 a mais que o iPhone 17 Pro, segundo estimativas baseadas em custos de componentes.